Importuna ao que sob a alma habita,
Desconsidera o que tem ao alcance,
O sono dos justos, católicos e amantes.
Em cada agir não sentimos sonolência:
O sonho nos agride tal qual a violência,
Que imprime ao raciocínio a confusão,
Que embota os sentidos e turva a visão.
Ao dormir aquilo que vivo o que sonho,
Sinto minha identidade fugaz e atônita.
E entre o que penso e o que me pareço,
Sobram as trepadeiras no muro espesso.
Quando, então, chega a hora de voltar,
Já não vejo mais corpo, tempo e lugar.
Eduardo Ribeiro