a rede
mergulhado na tarde esquisita
cometo uma ideia aqui outra ali
entrevejo a mulher que eu adoro
e me divirto
aspiro rapé
alguns decímetros cúbicos de ar
e um poema beat desmesurado
"...a irrealidade é meu chão
e o esquecimento a minha bússola"
há que dispormos das armas necessárias no cinto de mil e uma inutilidades para enfrentar os malfeitores, a burocracia maquiavélica oficial remunerada e os arque-inimigos do Pasquim
mergulhado nessa esquisitice completa
faço anotações pra depois do crepúsculo
o crepúsculo tem músculos, oníricos músculos
e tudo ronrona depois do crepúsculo
basta esticar o dedo e pedir uma carona que ele te leva onde ninguém
só você
cochilo sobre essa ideia
"...depois do crepúsculo tudo ronrona"
desperto hirto
aquela manhã morna virou essa tarde quente
ê modorra pachorrenta... antes uma rede
meu reino por uma rede
a mulher que eu adoro se despe
abre suas asas de delícias sobre nossa cama
quero o que ela quer
o poema pode esperar
Alexandre Brito
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Poesia de Wilmar Silva
NOA
meni de sant exili te quero
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili me quero
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili te quero
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili me quero
aqui agora no meio de mi
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili me quero
aqui agora no meio de mi
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili me quero
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili no quero
Wilmar Silva
meni de sant exili te quero
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili me quero
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili te quero
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili me quero
aqui agora no meio de mi
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili me quero
aqui agora no meio de mi
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili me quero
aqui agora no meio de mi
meni de sant exili no quero
Wilmar Silva
domingo, 6 de dezembro de 2009
Poesia de Maria da Conceição Paranhos
[NÃO SE TECE A VIDA]
Não se tece a vida
em teares mecânicos.
Nada inda foi dito.
Expatriado, choras
teu perdido anelo
de estar frente aos altares
de onde recende a luz
do alto, te transporta.
Quando levitas, ousas
sorrir e assim prossegues
— cintilas nesta noite
de sombra cerrada.
O divino transporta
teu viver encantado.
Maria da Conceição Paranhos
Não se tece a vida
em teares mecânicos.
Nada inda foi dito.
Expatriado, choras
teu perdido anelo
de estar frente aos altares
de onde recende a luz
do alto, te transporta.
Quando levitas, ousas
sorrir e assim prossegues
— cintilas nesta noite
de sombra cerrada.
O divino transporta
teu viver encantado.
Maria da Conceição Paranhos
sábado, 28 de novembro de 2009
Poesia de Nicolas Behr
neste país sem memória
vou construir um memorial
em memória de todos
vou construir um memorial
em memória de todos
os construtores de cidades
Memorial JKLMNOPQRSTUVXZ
Memorial JKLMNOPQRSTUVXZ
Nicolas Behr
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Poesia de Renato Suttana
UM OLHO
I
Um olho
baço,
cego,
e nenhum
pensamento
na noite opaca.
E estar girando
como uma
folha
seca
no vento:
o vento
não é nenhum
pensamento.
Não é
senão
o que sopra
lá fora.
(Seu assobio
nos beirais.)
Um olho
neutro, nulo –
porém cego,
na noite
fria.
II
Vasto
é o círculo
que a noite traça
ao redor
do olho:
e negro
e lento
e impenetrável
por dentro
como um caroço
na treva –
como uma
pedra.
E espesso
mais que o
pensamento
que tenta
atravessá-lo
na
escuridão.
Renato Suttana
I
Um olho
baço,
cego,
e nenhum
pensamento
na noite opaca.
E estar girando
como uma
folha
seca
no vento:
o vento
não é nenhum
pensamento.
Não é
senão
o que sopra
lá fora.
(Seu assobio
nos beirais.)
Um olho
neutro, nulo –
porém cego,
na noite
fria.
II
Vasto
é o círculo
que a noite traça
ao redor
do olho:
e negro
e lento
e impenetrável
por dentro
como um caroço
na treva –
como uma
pedra.
E espesso
mais que o
pensamento
que tenta
atravessá-lo
na
escuridão.
Renato Suttana
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Poesia de Artur Gomes
Bolero Blue
beber desse conhac em tua boca
para matar a febre nas entranhas
entre/dentes
indecente é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai
Artur Gomes
beber desse conhac em tua boca
para matar a febre nas entranhas
entre/dentes
indecente é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai
Artur Gomes
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Poesia de Ademir Assunção
O COISA RUIM
me querem manso
cordeiro
imaculado
sangrado
no festim dos canibais
me querem escravo
ordeiro
serviçal
salário apertado no bolso
cego mudo e boçal
me querem rato
acuado
rabo entre as pernas
medroso
um verme, pegajoso
mas eu sou osso
duro de roer
caroço
faca no pescoço
maremoto, tufão, furacão
mas eu sou cão
lato
mordo
arreganho os dentes
incito a revolta dos deuses
toco fogo na cidade
qual nero
devasto o lero lero
entro em campo
desempato
eu sou o que sangra
um poeta nato
Ademir Assunção
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